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27/11/2017

COLUNA DO RAFA - Cães precisam de limites

COLUNA DO RAFA - Cães precisam de limites

Cães, assim como crianças, precisam ouvir ou sentir um bom NÃO.

Cães precisam de limites

 

Imagine a seguinte cena: Você está andando no shopping e vê uma criança se jogando aos berros no chão. Ela está fazendo isso porque quer um brinquedo que viu em uma loja.

A reação normal é não gostarmos da cena e imaginarmos os pais corrigindo a criança. Mas e se ao invés disso os pais fossem até a loja e fizessem a compra do tal brinquedo? Estranho não é?

É engraçado como percebemos este tipo de comportamento entre nós, seres humanos, mas somos (desculpe o termo) imprestáveis na hora de aplicar o mesmo corretivo em nossos cães. Costumo dizer que eles teriam potencial para dominar o mundo se tivessem um pouco desta consciência ruim que nós humanos temos.

Não conseguimos resistir quando o cão faz aquela cara de pobre, sentado em frente a porta e chorando para entrar em casa. Não resistimos quando o cão nos olha com cara de “pidão”, quando estamos sentados no sofá comendo algo. Não resistimos quando o cão traz um brinquedo para nós e repete o comportamento, de forma insistente, mesmo não sendo hora de brincar.

Sejamos verdadeiros, poucos de nós consegue resistir aos comandos de um cão. Sim, eu disse comandos.

Enquanto você tenta ensiná-lo a sentar pela décima vez, ele já te ensinou a dar petiscos para ele e está ensinando você a dar a vida que ele quer. O problema é que a vida de acordo com as regras de um cão, não é uma vida segura, nem para você e nem para ele.

O problema está exclusivamente em nossa mente. Muitas vezes, através do cão, nós tentamos ser o melhor que podemos ser. Isso nos faz perder a noção de julgamento que tivemos quando relatei o exemplo da criança, algumas linhas acima.

Por isso não acreditamos que estamos "mimando" o cão, mas sim fazendo alguma bondade. Na verdade, estamos massageando o nosso coração, subornando a nossa mente e fazendo mal aos nossos animais.

Cães, assim como crianças, precisam ouvir ou sentir um bom NÃO. É preciso ter limites e a casa é um limite. Ele realmente precisa viver dentro de casa? Ou pode viver no quintal e entrar em casa de vez em quando, apenas como uma grande recompensa por não chorar na porta?

Se ele entrar em casa, ele precisa tomar o seu lugar no sofá? Ou pode ter educação e ter o seu canto favorito ao lado do sofá? O mesmo vale para a cama.

E quando ele traz a bolinha na boca para brincar? Lindo né? Não!

Entenda que ele não está pedindo para você brincar com ele, ele está exigindo. Numa matilha de cães selvagens ou numa alcatéia, apenas o líder do grupo inicia determinadas atividades. O que fazer então, ignorar tal ato? Eu acredito que não. Pegue a bolinha, faça-o fazer algo para você. Deitar, rolar, sentar, falar, dar a pata ou qualquer outra coisa que você irá recompensar jogando a bolinha.

Conheço muitas pessoas cujo os cães nem atendem quando são chamados pelos tutores. Eles não precisam, justamente porque tem tudo, o tempo todo e são mimados.

Crie valor para as coisas! Se você gosta de cão em casa, no sofá ou trazendo bolinha, crie um alto valor para cada um destes atos e você estará mantendo um sentido na vida do cão, se posicionando como líder e o deixando mais tranquilo para viver, livrando-o de estresse, ansiedade, medo, insegurança, baixa auto estima e outras coisas que dão origem a problemas como: Lamber as patas, latir demais, agressividade, dominância, ciúmes e outros.

Um cão nasce cão e quando o cão nasce, ele já sabe viver como cão. Porque ele tem o instinto de cão e o instinto do cão dá conta da vida. Assim, cão não inventa, não inova, não empreende, não improvisa. Cão é incrivelmente cão, amavelmente cão e assim, sua vida é apenas uma atualização do instinto de ser um cão. Sendo assim, cão com fome não come alpiste, porque não está programado para comer isto. Assim como um pombo, que com fome não come filé.

Mas nós, humanos, temos um instinto pobre e que não dá conta da vida. No máximo procuramos o peito quando nascemos. E nós, com fome, comemos alpiste mas preferimos dar o nome de linhaça.

Percebe? Nós inventamos demais para nossas vidas porque precisamos, mas acabamos inventando demais para a vida dos nossos melhores amigos e então tiramos eles dos eixos. Por nossa causa eles se perderam de seus instintos naturais. E assim, um cão que não sabe mais ser cão, morde porque teme e teme porque não sabe o que fazer.

Você não deu uma boa vida ao seu amigo, você tirou a vida dele. Simples!
 

Rafael Meireles é proprietário do
Winters e Speirs, Australian Cattle Dogs
filhotes da Brises, nascidos no Canil HLP.
Escreve periodicamente esta coluna
compartilhando suas experiências.



Crie valor para as coisas! Se você gosta de cão em casa, no sofá ou trazendo bolinha, crie um alto valor para cada um destes atos. Mantenha um sentido na vida do cão. Seja o líder e o deixe mais tranquilo para viver sem estresse, ansiedade, medo, insegurança, baixa auto estima e outras coisas. Um cão nasce cão e quando o cão nasce, ele já sabe viver como cão. Cão não inventa, não inova, não empreende, não improvisa. Cão é incrivelmente cão, amavelmente cão e assim, sua vida é apenas uma atualização do instinto de ser um cão.



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