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23/11/2017

COLUNA DO RAFA - Recebendo pessoas em...

COLUNA DO RAFA - Recebendo pessoas em...

Não insista em pensar que o seu cão deve ser como um labrador brincalhão.

Recebendo Pessoas em Casa

 

Tenho ouvido muita gente reclamando sobre o fato de não conseguir receber pessoas em casa sem terem de prender o seu ACD.

Em primeiro lugar é preciso deixar bem claro que vocês escolheram um cão extremamente apegado a sua "matilha" e realmente capaz de dar a vida para defender você. Ele é um cão desconfiado que, de alguma forma, tenta compreender o que é aquela "nova" pessoa entrando em sua casa. Algumas vezes ele faz isso mordiscando o calcanhar, outras vezes latindo e correndo ao redor da pessoa como se estivesse cercando e, em alguns casos mais raros e graves, ele pode atacar deliberadamente.

Sendo assim, não insista em pensar que o seu cão deve ser como um labrador brincalhão ao ver uma nova pessoa porque ele não será. Ele vai precisar de tempo para aprender a confiar em alguém até chegar o dia em que ele irá virar de barriga pra cima e aceitar carinhos. Tudo isso vai depender muito da forma como você irá educá-lo, frequência com que você socializa o cão com outras pessoas e como estas pessoas se comportam em relação ao cão.

A minha dica é baseada no que eu fiz e faço com o Winters e o Speirs para que ambos recebam bem as pessoas que chegam aqui em casa.

1 - Socialize o cão com pessoas.

Desde filhote deixe com que amigos e outras pessoas brinquem com o cão em sua casa, em parques e em todos os lugares onde você possa levá-lo. Ele deve se acostumar ao contato humano e a confiar em outras pessoas que estão junto com você. Isso deve ser diariamente em passeios e aproveite todas as oportunidades, nem que seja passar perto das pessoas e corrigir o comportamento errado.

2 - Instrua a pessoa, principalmente crianças.

O que me preocupa não são as pessoas que tem medo de cães, estas nunca irão abusar da sorte. O que me preocupa são as que gostam e não tem medo (respeito) do cão, estas são o verdadeiro problema.

Quando você receber visitas, instrua a todos para que não falem, toquem ou olhem para o cão nos primeiros minutos do encontro. Deixe com que o cão cheire e conheça as pessoas segundo seus métodos. Após cheirar a todos, se ele se afastar e ficar quieto num canto, peça para que ninguém vá atrás do cão. Isso significa que ele conheceu as pessoas e foi para o seu canto, não significa que ele já é amigo de todos.

Se o cão cheirou, fez todo o ritual e pegou um brinquedo ou começou a se esfregar nas pessoas, este é o momento onde um carinho simples faz sentido, nada de agarrar ou apertar.

Tenha um cuidado especial com crianças, elas tem uma energia diferente, tendem a ser mais agitadas, gritar e gesticular muito. Este tipo de comportamento não é bem aceito pelo ACD. Peça para que ela siga os adultos e não faça nada demais, apenas fique quieta e tranquila.

Se você está recebendo amigos para um churrasco ou festa, melhor isolar o cão das pessoas. Gritos, tapas nas costas e gestos comuns para nós podem ser interpretados como agressão pelo animal. Como eu disse, vai levar algum tempo para que ele se acostume com todos, até lá, todo cuidado é pouco.

3 - Tenha recursos para segurar o cão.

Não adianta achar que o seu cão será um Golden Retriever e irá festejar a chegada de todos, não solte o cão para cima das pessoas no momento do primeiro encontro. A agitação inicial será prejudicial e má interpretada pelo animal.

Mantenha-o na guia e fale para que todos entrem sem tocar, falar ou olhar para o cão. Se ele latir, corrija utilizando a guia, faça o mesmo se ele tentar avançar. Esteja sempre com petiscos por perto para recompensar o cão quando ele ficar sentado e quieto.

Cuidado com as pessoas que irão chegar tentando abraçar você ou cumprimentar, mantenha o cão afastado utilizando a guia.

Quando os cumprimentos terminarem, siga andando calmamente com o cão ao seu lado, permitindo que ele cheire as pessoas. Se ele estiver muito agressivo, ou seja, latindo demais ao ponto de não querer cheirar as pessoas, este é o momento de se afastar um pouco, deixar as pessoas caminharem tranquilamente e tentar se reaproximar aos poucos, recompensando cada metro conquistado sem que o cão se exalte e comece a latir.

Eu sempre evitei trancar o Winters e o Speirs justamente para não associar pessoas com o fato de ficar trancado, isso piora o contato com humanos. Educar da trabalho mas ainda é a melhor opção.

Se tudo correr bem, ele vai ter cheirado a todos e estará mais receptivo, esta é a hora de soltá-lo da guia e testar, mantenha a atenção nos primeiros minutos para evitar algum contato abusivo por parte do cão e que assuste as pessoas.

4 - Ensine alguns truques para o cão.

Geralmente o pior problema não são os cães, são as pessoas. Elas tendem a ter muito medo ou serem confiantes demais. Se pudessem apenas manter o equilíbrio e serem tranquilas, seria perfeito, mas elas se exaltam demais. Por isso é uma boa ideia ensinar truques simples para o cão. Sentar, rolar, dar a pata, latir e etc. Com estes truques na manga você pode fazer qualquer ser humano ficar mais confiante e tranquilo em relação ao animal.

Aqui em casa, por exemplo, quando as pessoas chegam e passamos os primeiros minutos do contato, peço para que cada um pegue um petisco e faço questão de deixar os cães verem. Ensino a cada um alguns truques que os cães sabem. Pede para dar a pata; pede para sentar; para ficar em pé; e assim por diante.

Os cães executam os comandos, ganham petiscos e confiam mais nas pessoas.

As pessoas ficam encantadas, felizes e tranquilas em relação a eles. Foi de longe a melhor técnica que já usei na vida e a mais divertida para ambos os lados.

No fundo, o ideal é fazer com que ambos tenham uma boa experiência, se você fizer isso, muito provavelmente o cão ficará mais tranquilo e vice versa.

5 - Cuidado com os desgarrados.

Ao longo do churrasco ou festa, existe sempre aquele tio que acha que nada do que você fala tem valor e ele resolve passear no quintal livre leve e solto. Existe também aquela tia que resolve ir para o outro lado do gramado e ficar sozinha aprontando alguma.

Estes são os alvos preferidos dos ACDs. Lembre que você tem um cão pastor em casa, provavelmente ele não suporta desgarrados.

Certa vez, em um churrasco, uma senhora resolveu tomar sol do outro lado do sítio, longe de todos. Durou literalmente 5 minutos a paz dela, o Winters começou a rodear a cadeira onde ela estava sentada e ouvi pessoas me chamando. Quando eu vi, parecia aqueles desenhos animado onde um tubarão fica rodeando o camarada que está no mar. Ele não latia, não avançava, apenas rodeava ela. Quando ela resolveu entender que deveria voltar para onde estávamos, se levantou e o Winters deu um pequeno empurrão pulando e mordiscando a bunda dela. Nem marca deixou, mas serviu muito bem para dizer o seguinte: "Minha senhora, eu mando aqui, volta para o seu lugar, por favor!"

Quando ele me viu caminhando na direção dele, começou a escoltar a senhora de volta para onde estávamos festejando. "E que não saia mais do seu cercado", só faltou dizer isso.

Ela esbravejou por um minuto até eu explicar o quão educado ele foi com ela. Ele poderia ter mordido, latido, atacado, feito qualquer coisa. Era alguém desconhecido no território dele. Naquele dia estávamos recebendo mais de 15 pessoas e este foi o único problema que tivemos.

Conclusão e outros cuidados.

No final das contas, temos que entender o tipo de cão que temos em casa e pensar se não esperamos dele algo que ele não é, ou algo para qual ele não foi treinado e educado.

Não existe milagre, apenas treinamento e trabalho duro para educar o seu cão.

Em casa eu não quero um cão "bobo", ou seja, aquele que lambe até o ladrão. Prefiro o Winters e o Speirs do jeito que são.

Eles tiveram diversas oportunidades para atacar alguém, nunca fizeram e sempre ouviram meus comandos. Quando morderam, foram sempre mordidas de aviso e o máximo que já fizeram foi uma marca roxa em um estranho. Nem o piscineiro, que é alguém completamente estranho, foi atacado por eles quando entrou em casa sozinho certa vez que não estávamos. Simplesmente porque o homem soube como agir com os cães.

Por outro lado, certa vez minha esposa viu os dois cercando o jardineiro e o homem, ao invés de permanecer quieto, pegou um cabo de vassoura para ameaçar os cães. A sorte dele foi ela ter visto a cena e corrido para dizer ao homem para baixar a vassoura e dar a ordem para o Winters e o Speirs sentarem. Se tem algo que eles não toleram é serem ameaçados ou apanhar.

A pior coisa que alguém pode fazer para um ACD é tentar bater. Muitos de vocês podem me dizer que isso vale para qualquer cão, mas digo que não. Com o ACD é diferente e eu já vi muito cão ser ameaçado e poucos reagirem como eles.

Mesmo em pequenas broncas, eles tendem a revidar ou latir de volta. Ao serem ameaçados a reação deles pode ser o ataque sem prévio aviso e aí meu amigo, ou a pessoa mata o cão ou o cão a pessoa. Eu aposto no cão, sempre!

Por isso, eduquem os seus cães e eduquem as pessoas também, é um bem que vocês fazem para os dois lados.


Rafael Meireles é proprietário do
Winters e Speirs, Australian Cattle Dogs
filhotes da Brises, nascidos no Canil HLP.
Escreve periodicamente compartilhando suas experiências.



O ACD é um cão extremamente apegado a sua matilha e realmente capaz de dar a vida por você. Estopa, Sara e Winters. Desde filhote deixe com que amigos e outras pessoas brinquem com o cão em sua casa, em parques e em todos os lugares onde você possa levá-lo. Kleber, Winters e um amigo. Mantenha-o na guia e fale para que todos entrem sem tocar, falar ou olhar para o cão. Peço para que cada um pegue um petisco e ensino alguns truques que os cães sabem. Os cães executam os comandos, ganham petiscos e confiam mais nas pessoas. Winters conhecendo a Estopa, Kléber e o novo território.



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